Hélio Eichbauer

Hélio Eichbauer, teve uma formação “humanista” (EICHBAUER, 2006, p.99), tendo contato desde a infância com diversas áreas do conhecimento, estudou pintura, música, matemática, e cursou Filosofia na Faculdade Nacional de Filosofia até 1961, quando visitou a Bienal de Arte de São Paulo e conheceu o trabalho de Josef Svoboda. Neste momento, decidiu abandonar o curso e viajar para República Tcheca e pedir para ser aluno particular do cenógrafo. A aventura deu certo e o jovem Hélio aperfeiçoou e adquiriu conhecimentos em desenho, marcenaria, serralheria, carpintaria e trabalhos manuais. Segundo o próprio artista sua formação com Svoboda foi “renascentista”, pois ele foi aluno particular de um grande gênio (EICHBAUER, 2006, p.99).



















Em 1966 Eichbauer viajou para Cuba para participar do Festival Casa de Las Américas e viveu no país por um ano, trabalhando com o Teatro Studio. Neste período o artista retomou a cor no seu trabalho: “Cuba, assim como o Brasil, me devolveu a cor. Eu era um pintor figurativo e de policromia e com Svoboda eu trabalhava com o preto, o branco, o cinza e luz” (EICHBAUER, 2006, Revista Chronos, p.106).

 Em 1967 retornou ao Brasil e assumiu a tarefa de realizar a cenografia e os figurinos de O Rei da Vela, do Teatro Oficina. Nos anos 1970 e 1980 foi docente da Escola de Belas Artes da UFRJ, da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), da Escola de Teatro Martins Pena e da UNIRIO.
Atua na cena brasileira criando cenários e figurinos para óperas, espetáculos musicais, teatrais e exposições.
Em seu processo criativo o artista parte do estudo do autor, da história e das relações entre a literatura, o texto e o autor (EICHBAUER in CHRONOS, 2006, p.106). Para criação dos cenários e figurinos de O Rei da Vela, uniu elementos de sua formação como aluno particular de Josef Svoboda,[1] “todo um método, toda uma forma muito específica de ver o mundo, de trabalhar as formas. A abstração, a cinética” (idem), com as influências da cultura tropical “as cores, os frutos, o ritmo, a música popular” (ibidem). A união desses elementos possibilitou ao artista realizar figurinos “extremamente ousados no seu tom carnavalesco-circense e no seu espantoso mau gosto” (MICHALSKI, in CHRONOS, 2006, p.45), e que contribuíram para que O Rei da Vela se tornasse um dos ícones do Tropicalismo: “O Rei da Vela, na realidade é tropicalista porque eu tinha passado pela Revolução Tropical, um socialismo tropical que é Cuba” (EICHBAUER, revista Chronos, p. 105).
Desenho Ato I - Escritório de Usura Abelardo e Abelardo
Maquete Ato II - Ilha Tropical na Baia de Guanabara

Desenho Ato III - Novamente escritório de Abelardo & Abelardo

Para realização dos figurinos do espetáculo, Hélio Eichbauer partiu de seu repertório pessoal e profissional, baseado na sua formação e experiência em Praga e Cuba, nas sugestões apresentadas pelo elenco no decorrer da construção das personagens (Eichbauer “pedia a todos que se desenhassem e imaginassem suas meias, roupas de baixo, de cima, adereços das personagens, e lhe encaminhassem.” (CORRÊA, 2006, p.18) e nas diretrizes de encenação propostas por José Celso, repletas de referências e influências artísticas e intelectuais profundas e diversas, mas também dotadas de uma enorme irreverência: José Celso, quando estudava para encenação de O Rei da Vela, recebeu um exemplar da revista Time, que na capa trazia o general Costa e Silva em frente a uma bananeira verde-amarela, enquanto lia a revista escutava no rádio “Yes, nós temos bananas” samba de João de Barro, e concluiu que deveria enviar tudo para dentro da moldura do palco italiano e esculhambar (CORRÊA, 1977, in STAAL p. 125). 

Revista Time, de 1967, com o general Costa e Silva na capa.

Yes, nós temos bananas” samba de João de Barro


[1] Cenógrafo Tcheco considerado nos anos 70 o maior profissional da área do mundo – Enciclopédia Itaú Cultural